| O confronto entre VIVER e ENVELHECER com
dignidade Sabendo-se que a vida humana é
efêmera, o que dizermos, então, da efemeridade
de um de seus estágios – a velhice?
Buscamos entendê-la no reclamo de um intrépido
nonagenário membro do Ministério Público
cearense, que, do “pódio” dos seus noventa
e quatro anos de idade, em plena lucidez, conclama:
“Não tenho medo!
Tenho medo apenas de ter medo!
Só o silêncio do isolamento de um velho é
que dá pavor.”
Se algum jovem ousasse parar, e se olhasse por instantes
no espelho do seu futuro, não teria coragem de descrever
o que lá pode observar. E isto se não tivesse
visto o ocaso, mas tão-somente o resultado de uma longa
vida.
E viver não é melhor que sonhar?
Por quê então se espantaria o observador, ao
ver sua imagem no futuro?
E, chegar ao topo de mais de nove décadas com as conquistas
do notável Dr. Kideniro Stefenson Teixeira é,
sem laivo de dúvidas, um privilégio de poucos.
Mas, mesmo assim, ainda nos cabe dizer:
Esse homem, que sempre foi senhor de si, hoje se vê
escravizado por um sistema injusto que humilha e degrada.
Foi condenado, apenas, porque viveu muito, e por esta “transgressão”
é que vem sofrendo tanto.
E ao sentar-se no isolamento de um banco de praça,
com tudo que armazenou pela experiência de uma longa
vida, que o fez chegar ali, não pode ser um “CONTADOR
DE HISTÓRIAS”, como fez Forest Gump, porque só
lhe sobra tempo para lamentar as injustiças que recebe
como legado. E o que é mais grave, ainda “não
tem ninguém pra ouvi-lo”.
Basta de tanto descaso com o que deveria ser um prêmio.
Nos países em que a velhice é tratada com dignidade,
o idoso é respeitado tal qual uma relíquia,
pela fonte de sabedoria que carrega consigo. Cá, entre
nós, é visto como um fardo pesado. Peso que
precisa ser dividido, porquanto sua fragilidade já
não suporta mais conduzi-lo sozinho.
“Já se pode ver ao longe o velho com suas rugas
na testa”.
“Para cada braço uma força, pra cada
força um gemido, pra cada gemido uma nota.”
Que nota?
Para o idoso, que desafia as intempéries da vida,
o sete, das notas musicais. Aquelas que já não
mais consegue distinguir com nitidez.
Para aqueles que se esqueceram do idoso, o zero do descaso!
Há um gemido de dor e de desesperança, na voz
rouca e trêmula do ancião, cujo nome se revela:
anseia!
O gemido é de mágoa, pelas conquistas que prometeram
e que nunca se fizeram realidade.
Parece que já providenciaram uma solução
para o velho: abreviar-lhe a vida.
Será justo?
Não devemos olvidar o efeito “Orlofe”.
Em sendo justo para os velhos de hoje, para aqueles que assim
consideram, pensemos ao menos que nós seremos os velhos
de amanhã!
“Longevidade e cidadania” são as conquistas
que almejam os idosos deste imenso Brasil.
O desafio está agora nas mãos firmes da Procuradora
Geral de Justiça do Estado do Ceará.
Basta criar e colocar para funcionar a Promotoria do Idoso.
Aí, sim, o velho terá sua voz novamente forte
e vibrante, através da firme atuação
do Parquet que, já sabemos, é a última
instância de esperança para os desvalidos.
As nossas leis tudo prometem, mas poucos são os seus
resultados práticos, por ineficiência dos próprios
órgãos governamentais criados para executar
os programas sociais, que, se funcionassem a contento, menos
trabalho dariam aos vigilantes Membros do Ministério
Público.
Será na persistência do mister do Guardião
da Sociedade, que o velho de corpo trôpego e curvado
verá, de novo, sua imagem ser refletida, se não
reta como dantes, ao menos equilibrada, com o amparo que lhe
dará uma Promotoria.
Mas, urge que seja breve!
Mais rápido é o tempo que não pára.
No entanto, esse, ao contrário de nós, nunca
envelhece, como no dizer do cancioneiro.
O homem passa, mas as suas grandes ações se
eternizam para a história, permanecendo indeléveis
nas mentes dos que nos sucederão.
Enfeitemos com a atenção uma velhice desamparada
que ela ainda vai se alegrar. Um único dia de alegria
na vida de um idoso pode sinalizar-lhe um final feliz. |