O exemplo italiano das “Mãos Limpas”
o ano de 1992, a Itália iniciou uma operação de combate à corrupção sem precedentes. A promiscuidade entre os setores público e privado não só era representada pela histórica estrutura da máfia como havia tomado também a máquina estatal. Milão foi o cenário para aquela que ficou conhecida como a operação “Mãos Limpas”, cujo saldo gerou 2.993 mandados de prisão e 6.059 pessoas investigadas (incluindo 872 empresários, 1.978 administradores locais e 438 parlamentares, dos quais quatro haviam sido primeiros-ministros).
Não só o trabalho destemido de Magistrados como Paolo Borselline e Giovanne Falcone, como a pressão da opinião pública e da imprensa favoreceram o êxito de todo o processo. O Promotor italiano que participou da operação, Vittorio Borraccetti, disse em entrevista à Folha de São Paulo que, desde os anos 80, a Itália já vinha fazendo investigações de grande porte. Porém, no início da década de 90, a onda de casos e a pressão das ruas criaram condições ideais para que tudo fosse vasculhado e alterado. Segundo Borraccetti, o grande saldo foi garantir a credibilidade das Instituições italianas.
Empresas como a Fiat e a Olivetti, ministros de Estado, mafiosos como Tommaso Buscetta... Nenhum deles escapou à lupa do Ministério Público e do Poder Judiciário, que também investigou seus próprios quadros. A operação “Mãos Limpas” atingiu, inclusive, o sistema partidário italiano e fez com que dois de seus maiores partidos, o Socialista (PSI) e o Democrático Cristão (DC), não resistindo às investigações e fossem reduzidos no cenário político nacional.
Contar a história italiana nos remete à realidade brasileira. De tudo, sobra a impressão de que a vontade de sair da superfície das denúncias é o grande entrave. Pensando no exemplo das “Mãos Limpas”, a equipe da “MP&Sociedade” aproveitou o intercâmbio entre Brasil e Itália no caso das investigações sobre turismo e exploração sexual em Fortaleza e foi conversar com o Promotor italiano Ítalo Ormanni. Algumas palavras que talvez nos motivem a importar algo mais da Itália que não sejam as famigeradas pizzas, sinônimo da infame prática da impunidade.
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