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Editorial

De clamores e promessas

surpreendidos pelos fatos. Assim encontra-se a maioria de nós diante das cotidianas ocorrências detonadas por atos de violência, cada vez mais banais. Interior, cidade grande, periferia, bairro nobre: nenhum desses espaços permanece imune à brutalização das relações interpessoais e coletivas, levada às últimas conseqüências num sistema que promove a desigualdade, estimula o consumo e cala-se diante da corrupção.

Sensível a essa realidade de transgressões, levadas ao limite do intolerável, a Associação Cearense do Ministério Público dá a ela o devido espaço nesta nova edição de Ministério Público & Sociedade. Após diagnosticar a eficácia das políticas de segurança pública, em sua última edição, a revista avança na direção de uma maior compreensão do fenômeno que desencadeia aquelas políticas.

As constatações, diversas e na maior parte desanimadoras, opõemse a respostas ainda muito rudimentares dos governos. Com foco no Ceará, mostramos o exemplo de um município, Mombaça, que, a partir da vontade das autoridades, amenizou a sensação de insegurança gerada por altos índices de homicídios.

Exemplos como esse ainda são pontuais. Há muito a ser feito, como admitem todos os representantes dos órgãos de gestão da segurança ouvidos por MP & Sociedade. O titular da Secretaria de Segurança
Pública e da Defesa Social, Roberto das Chagas Monteiro, faz o mea culpa, mas avisa: não cederá à tentação autoritária de colocar mais polícia e armas na rua de forma indiscriminada. Em entrevista,
ele defende políticas integradas com outras áreas e educação para as categorias policiais.
O investimento nas garantias cidadãs também é defendido pelo Promotor de Justiça Gilvane Moreira Costa, da área de entorpecentes, em artigo opinativo.

Dentro das casas, a violência assume feições silenciosas, porém igualmente alarmantes. Uma das manifestações costumeiras de abusos intrafamiliares vitima os idosos, fatia cada vez mais significativa
da população brasileira. Uma resposta exitosa a esse quadro se baseia em ações simples e de promoção da auto-estima. Quem dá a receita é a médica sanitarista Zilda Arns, coordenadora Nacional das Pastorais da Criança e da Pessoa Idosa. Duas vezes indicada ao Prêmio Nobel da Paz, ela revela um quadro de descaso que ainda não encontra a devida ressonância junto aos governantes.

No Ensaio, o professor-doutor Regenaldo da Costa expõe com propriedade a tese de que ética e política andam juntas, a partir da efetivação dos direitos fundamentais. Nas Literárias, a ética mais uma vez se faz presente, a partir do dilema de um advogado, exposto com brilhantismo por Machado de Assis. São essas apenas algumas das leituras que aguardam você, leitor, neste novo número. Que todas elas
sejam edificantes, instigantes e prazerosas.



CAPA:
Respostas historicamente lentas a fenômenos complexos levam a violência urbana no Ceará a patamares cada vez mais preocupantes. Nesta edição, dados alarmantes e a resposta das autoridades ao problema.













Boa leitura!