Ciclo de Debates do MP chega a Juazeiro do Norte
Uma análise minuciosa de dispositivos legais importantes no cotidiano da ação ministerial. Com esse
foco, Promotores de Justiça cearenses fizeram da última edição do Ciclo de Debates para Membros do Ministério Público da Capital e do Interior um momento de reflexão crítica sobre a Lei Maria da Penha (11.340/06) e sobre a nova Lei Antidrogas (11.343/06).O Fórum Eleitoral de Juazeiro do Norte sediou o evento, que aconteceu nos dias 27 e 28 de junho.
Em iniciativa inédita, visando à descentralização da oferta de cultura e conhecimento a seus membros, a Associação Cearense do Ministério Público agendou a realização do Ciclo em um município do interior do Estado. O presidente da ACMP, Promotor de Justiça Francisco Gomes Câmara, participou das atividades e registrou satisfação com o interesse demonstrado pelos demais participantes.
No primeiro dia do evento, a Lei Maria da Penha foi o tema das discussões. Conquista recente das mulheres vítimas de violência doméstica, a lei prevê maior severidade no trato dos agressores comprovados, além de dificultar a retirada de queixas por parte das vítimas, fato comum nesse
tipo de ocorrência.
O Promotor de Justiça Antônio Iran Coelho Sírio, Coordenador das Promotorias Criminais, do
Júri e Centro de Apoio, ministrou palestra sobre o tema, a partir da qual se iniciou o debate. Ele pontuou
aspectos jurídicos polêmicos na redação da lei federal, além de buscar esclarecer dúvidas a respeito
da interpretação da norma. “A Lei Maria da Penha é uma conquista social e representa um avanço no que diz respeito à dignidade humana”, afirmou.
ENTORPECENTES O cotidiano à frente da 2ª Promotoria de Justiça de Delitos Sobre Tráfico e Uso de Substâncias Entorpecentes de Fortaleza serviu de suporte às reflexões de José Gilvane Moreira da Costa, palestrante do dia. Para ilustrar como vem se dando a operacionalização da Lei Antidrogas, em vigor desde agosto de 2006, o Promotor fez menção a casos concretos, a partir dos quais assinalou a necessidade de ampliação do fluxo de informações entre o Ministério Público - como fiscal da lei e responsável pela formalização da denúncia criminal à Justiça - e os órgãos de investigação, notadamente a Polícia Civil.
“Há muito o que melhorar na Lei, que tem pontos controvertidos. Mas, é um instrumento muito
melhor para se trabalhar do que a legislação antes existente para o uso de drogas”, opinou o
promotor de Justiça, que em sua explanação apresentou uma série de aspectos da lei que considera
pendentes de reflexão.
Em meio a colocações dos promotores presentes, o palestrante abordou diversos aspectos da lei,
como a apreensão de bens de acusados, a presença de menores nos crimes envolvendo drogas, as noções de tráfico internacional e nacional, entre outros (veja quadro na próxima página).
Ao final do evento, Gilvane reforçou a necessidade de mais oportunidades para que os promotores
cearenses adotem posições mais uniformes a respeito do arcabouço legal que norteia o trabalho
das Promotorias.
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