Alerta virtual pela segurança mobiliza Pernambuco
Ao acessar o endereço eletrônico, o impacto. Em tempo real, a mais lamentável das estatísticas: o
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número de mortos por homicídios no Estado de Pernambuco, atualizado sempre que uma nova ocorrência se consuma. Infelizmente, o contador de corpos do blog PEbodycount não pára, mapeando aquela que é uma das unidades da federação mais violentas do País.
Desde maio, quando começou a funcionar, são mais de 1400 pessoas* que perderam a vida em meio a atos violentos. Mais do que contabilizar vítimas, no entanto, o PEbodycount busca revelar que histórias de vida se ocultam nas estatísticas. Na humanização dos relatos, um lembrete à sociedade e às autoridades responsáveis pela segurança: o combate à violência trata, essencialmente, do reconhecimento de seus protagonistas como seres humanos, dotados de direitos e deveres.
A partir dessa constatação, o blog atua em várias frentes. A mais destacada é um desdobramento crítico do noticiário voltado à segurança. Com o espaço que a mídia impressa não oferece, a equipe de jornalistas - vinculada às maiores publicações de Pernambuco - abre espaço à fiscalização
da ação governamental e a um maior aprofundamento das versões das ocorrências.
“Nossos gestores atuais e de governos passados não têm intimidade com o tema violência e, ainda, empregam muito mais o senso comum do que diagnósticos bem acabados ao analisá-lo”, detecta
o jornalista Eduardo Machado, um dos editores do sítio eletrônico, que reproduziu o modelo Alerta virtual pela segurança mobiliza Pernambuco de contagem de mortes presente, originalmente, num site sobre a
guerra do Iraque.
A experiência é apoiada por entidades como a Associação do Ministério Público de Pernambuco. Em entrevista, Eduardo Machado discutiu políticas de segurança e como surgiu o blog. Confira trechos:
*dados atualizados em 13 de setembro de 2007
Rápidas MP & Sociedade - A (in) segurança pública inquieta os brasileiros de praticamente todas as capitais. Que situação o PEbodycount encontrou em Pernambuco, ao iniciar os trabalhos, em maio deste ano?
Eduardo Machado - A violência coloca o nosso Estado no topo do ranking nacional de homicídios há mais de duas décadas. A situação vem se reproduzindo e os números de assassinatos aqui estão em 4.638 homicídios, ocor-ridos no ano passado, e 1.714 até abril deste ano. É muita gente morta, a maioria à bala. Dentro desse contexto, eu e os jornalistas Carlos Eduardo Santos, João Valadares e Rodrigo Carvalho, todos repórteres com experiência nessa área de polícia, resolvemos criar um blog para discutir a Segurança Pública e contabilizar todos os homicídios ocorridos em Pernambuco. O atual governo
mostrou disposição em enfrentar o problema e pela primeira vez estabeleceu uma meta de redução
de homicídios que é de 12%. Já a nossa sociedade precisa participar muito mais do processo de
cobrança e acompanhamento dos índices de criminalidade. Vivemos acuados, atemorizados, mas
não nos mexemos pra transformar essa realidade.
MP & S - Que políticas públicas (sejam de segurança ou não) seriam necessárias, em sua avaliação,
para fazer retroceder essa cultura da violência no seu Estado?
Machado - Em todos os lugaresdo Brasil e do mundo onde os índices de violência caíram, houve inicialmente um diagnóstico, a definição de áreas prioritárias e o investimento casado de prevenção
e repressão nesses focos. Significa ir nos locais onde mais se mata e colocar lá a presença do Estado na forma de reordenação do espaço urbano, infra-estrutura de maneira geral, opções de lazer, melhoria do transporte público, da saúde e da educação. Enfim, um banho de cidadania nessas áreas para que a vida passe a valer mais.
MP & S - A preocupação em dar nome e rosto aos envolvidos nos casos de violência - sejam vítimas
ou algozes - é uma constante no trabalho de vocês. Repensar o discurso jornalístico sobre a violência,
marcado muitas vezes por uma espetacularização dos fatos, é também importante nesse esforço pela
paz social?
Machado - Nossa postura como jornalistas sempre foi oposta à espetacularização do crime. Isso está marcado em nossa produção como repórteres do Jornal do Commercio, onde procuramos sempre apontar bons exemplos de enfrentamento da violência e fazer uma crítica construtiva da nossa realidade. Por isso, nãooptamos por colocar apenas o número de homicídios e demos rosto e história para cada uma das vítimas.
MP & S - Uma provocação: o contador de homicídios é certamente um chamariz do blog, porém não
acaba servindo como um ícone de um nivelamento da violência ao mero dado estatístico? Isso não
contradiz o espírito crítico e a contextualização das histórias presente nos textos?
Machado - O contador de homicídios é uma ferramenta de impacto do nosso blog. As pessoas sabem que a violência é alta em Pernambuco, mas não sabiam dimensionar o que significa essa alta criminalidade. Com o blog, o número está disponível 24 horas por dia. Só que estamos indo além
do impacto, dando rosto às vítimas e discutindo a segurança pública em detalhes.
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