Cooperjuris: R$ 2 milhões em empréstimos
Imagine ser dono de seu próprio banco com acesso a crédito para bens e a oportunidade de aplicarecursos com maior rentabilidade que na maioria das instituições financeiras. Muitos setores têm encontrado no cooperativismo financeiro uma forma de tornar real o que poderia ser apenas devaneio. Da forma mais bem-sucedida possível, Promotores de Justiça, Juízes, servidores do Judiciário e Defensores entraram nesse ramo por meio da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Magistrados, Membros do Ministério Público, Defensores Públicos e Servidores do Poder Judiciário no Estado do Ceará (Cooperjuris).
Em 2006, o funcionamento da cooperativa foi autorizado pelo Banco Central. De acordo com dados do último mês de fevereiro, fazem parte da Cooperativa 316 pessoas, sendo 135 magistrados, 71 ligadas ao Ministério Público, 14 ligadas à Defensoria Pública e 96 servidores do Poder Judiciário.
Até o momento, a cooperativa comemora um índice quase irrisório de inadimplência. Dos cerca de R$ 2 milhões emprestados até o último mês de fevereiro, apenas R$ 5 mil tornaramse dívidas dos cooperados. Como se trata de empréstimos consignados, os riscos envolvidos são menores. Desde março deste ano, as operações são cobertas por seguro, que garante liquidação de contrato, em caso de falecimento do associado.
Razões para o sucesso? Vantagens para quem toma emprestado e para quem economiza. “A taxa real de empréstimo da Cooperjuris é mais baixa do que as das instituições com fins lucrativos. Embora a taxa nominal de algumas instituições financeiras seja mais baixa – taxa nominal é a taxa que aparece no contrato – a taxa real, que normalmente não aparece no contrato e é calculada embutindo os demais custos do empréstimo, como o IOF, a TAC, os seguros, é mais alta do que a taxa real da cooperativa”, explica o gerente geral da Cooperjuris, Fábio Ribeiro.
Para quem pretende investir, a cooperativa oferece taxas de remuneração de capital consideradas “excelentes” (ver box). Além disso, a Cooperjuris oferta serviços como talão de cheques, cartão de débito e conta sem tarifa de manutenção.
Democratização - A Promotora de Justiça Vanja Fontenele Pontes, uma das fundadoras e Conselheira Fiscal da cooperativa, foi uma das primeiras a livrarse do empréstimo contraído em outras instituições financeiras. “As taxas são melhores, as condições e os valores concedidos também”, ressalta, mencionando ainda a menor carga de impostos envolvida nas operações realizadas junto à Cooperjuris.
Ela ressalta ainda a possibilidade de se obter lucros ao final de cada exercício. As chamadas “sobras” das cooperativas são divididas igualmente entre os cooperados. “Não existe hierarquia, nem a figura de um ‘super-dono da cooperativa’”, afirma. “Meu voto é igual ao dos outros, seja servidor, desembargador ou juiz. É a democratização da questão financeira”, sentencia. Cada cooperado pode adquirir um número limitado de cotas, o que evita a monopolização dos dividendos.
Ao ingressar na cooperativa, realiza-se o que se chama deintegralização inicial de capital. Esse valor, pago ao início do contrato, é remunerado e representa o ponto de partida para os investimentos (e também as operações de tomadas de crédito) futuros. |